Carimbo + Aquarela de Placenta

Já muito difundido pelas as doulas o “carimbo da placenta” com seu próprio sangue no momento final do parto, essa impressão revela as características únicas daquela árvore da vida que nutriu e protegeu o bebê. Para valorizar ainda mais a recordação desse órgão fundamental para a constituição do ser e tão cheio de energia vital, foi que propus a pintura com a tinta aquarela sobre o carimbo original, buscando cores, formas e elementos que harmonizem e reconte a história daquele nascimento.

Essas artes podem ser feitas nos  tamanhos: A4 ou A3.

 

A árvore da vida se forma no momento em que a semente-pai é plantada na terra-mãe (o útero), então pouco a pouco se formam raízes que puxam os nutrientes e oxigênio dessa terra-mãe para que numa ação saudável de nutrição e proteção se forme e desenvolva o fruto-filho…  

E os olhos das mulheres ao se identificarem como TERRA, como geradoras e nutrizes, brilhavam com um certo orgulho e empoderamento.  

Carimbar as placentas em uma folha em branco, para mim sempre trouxe o sentido de lembrar que aquela mulher, carregou um dia dentro de si, uma árvore! E mesmo que essa mensagem seja sutil, e a toque no seu subconsciente apenas, era como dizer para elas… VOCÊ É TERRA FÉRTIL!  

Não sei explicar, mas isso tem poder!

No entanto em nossa sociedade cada vez mais distante dos processos naturais e permeados de tabus a respeito da sexualidade, vida-morte, corpos e suas secreções, era comum também o asco ou aflição pelo fato de envolver muito sangue… mas é um órgão, não deveria ser diferente, há sangue!  

Todas as pessoas às quais eu mostrava um carimbo de placenta num primeiro olhar diziam, “olha é uma árvore!”, no segundo olhar… “nossa isso é sangue?”, alguns com fascínio mas a maioria com repulsa…  

Então daí vieram as artes, as pinturas feitas com aquarela sobre o carimbo da placenta feito com o próprio sangue dela.

Meu objetivo com as artes, sempre foi ressignificar, comunicar através do belo e das cores, talvez amenizar o impacto de estarmos olhando para uma tela de sangue.  

E então comecei a ser surpreendida pelo resultado desse trabalho. As mulheres se sentiam mais à vontade de mostrar a pintura para as pessoas, mostrar à elas seu segredo: “eu carreguei uma árvore dentro de mim e dessa árvore brotou o fruto que está aqui… sou TERRA!”

Percebem a magia disso? Não sei se serei capaz de explicar… Mas vocês percebem, não é?

As pinturas passaram a ser expostas na parede das casas, no quarto do bebê, na sala de estar. E volta e meia me deparo com elas me contando que as visitas param, olham, e quando finalmente perguntam “o que significa isso?” algo mágico acontece… A família (mãe, pai, avós) se colocam a contar, é a placenta! Perguntas com espanto e admiração brotam sem parar, e um diálogo acerca da gestação e do nascimento se instala de maneira sensível, senão poética. O que era pra ser “apenas um carimbo de recordação” se torna um veículo de educação perinatal, de quebra de tabus, de uma conversa criativa e envolvente que remete todos à sua origem, às suas histórias pessoais de nascimento. Não é raro alguém interromper a explicação para dizer, minha avó plantava “o umbigo” numa roseira, entre outras histórias do tipo.  

Para mim é mais que um prazer, é uma honra tocar essas placentas, entender que ela é o único órgão vital que uma vez fora do corpo humano representa VIDA e não morte.  

Realizar esse trabalho me faz acreditar que de algum modo, eu posso entrar no coração das pessoas e mostrar a elas esse espaço sagrado onde ocorre o nascimento.

(Texto de Pamella Souza, doula e placenteira, artista responsável pelas aquarelas da Segredos da Placenta.)